Litíase biliar em crianças
A vesícula biliar é um órgão do nosso corpo que se localiza sob o fígado. Sua principal função é armazenar a bile, que ajuda na digestão das gorduras. Devido a certas anormalidades, podem desenvolver pedras…
A litíase biliar ou colelitíase, sempre foi uma patologia rara em idade pediátrica, com uma incidência estimada em 0.1-2%. Nos últimos anos tem aumentado em crianças e adolescentes, tanto pelo maior número de situações clínicas predisponentes, particularmente a obesidade, causada por dietas ricas em gorduras, tanto pela maior facilidade em se fazer o diagnóstico, com a maior disponibilidade para a realização de ultrassonografia atualmente.
Tem como fatores etiológicos as doenças hemolíticas congênitas, como anemia falciforme, talassemia e esferocitose hereditária, fibrose cística, nutrição parenteral prolongada, ressecção intestinal extensa decorrente de malformações intestinais, com circulação entero-hepática anormal, e outras causas ainda desconhecidas. O uso de certos medicamentos (como antibióticos do grupo das cefalosporinas como a Ceftriaxona) pode determinar espessamento da bile, levando à formação de cálculos que podem vir a ser resolver espontaneamente.
Os fatores de risco para essa doença, sobretudo entre os adolescentes, assemelham-se aos adultos, como obesidade, uso de anticoncepcionais orais, doenças hepatobiliares, e histórico familiar, podendo haver complicações como a inflamação da vesícula biliar (colecistite) ou obstrução do ducto de drenagem da bile (colangite).
Os sintomas vão desde dor abdominal aguda inespecífica, na maioria das vezes do tipo recorrente, até sintomas biliares como cólica, náuseas e vômitos ou icterícia.
Em crianças que possuem os sintomas claramente relacionados à colelitíase, recomenda-se o tratamento cirúrgico, no sentido de se evitar complicações. O tratamento mais indicado é a colecistectomia (retirada da vesícula biliar) por videolaparoscopia, evitando-se incisões maiores e permitindo um período de recuperação mais curto e confortável para a criança.
A questão é como conduzir o caso do paciente portador de litíase vesicular que é assintomático: se deverá apenas ser acompanhado pelo seu cirurgião pediátrico ou submetido a cirurgia. Por isso o seguimento e as avaliações de rotina com seu médico responsável são tão importantes.
Procure sempre seguir as orientações de seu cirurgião pediátrico para que o paciente tenha a conduta mais adequada e, se necessária a cirurgia, que seja muito bem indicada.
Texto migrado do acervo editorial produzido para as redes do Dr. Walberto. A biblioteca organiza esse material para facilitar a pesquisa das famílias.
Acompanhar @dr.walberto
Agendar consulta